Sobre o semear

20-12-2016

Uma semente é lançada na terra. O objetivo dela é morrer, é sua missão, pois precisa dar lugar a um projeto muito mais ambicioso. E morrendo ela viverá...

A Natureza é muito profunda em seus ensinamentos, para qualquer lugar que olhamos aprendemos mais sobre algum aspecto que reflete a nossa própria vida. Não é diferente com o semear, e é sobre este processo que vamos conversar hoje, que é uma das energias que nos traz a carta do dia, o Sete de Ouros.

Sabemos que não é possível plantarmos uma semente hoje e já colhermos os frutos no dia seguinte, isso parece muito lógico, todos concordam que é preciso esperar o tempo de a semente brotar, crescer, se desenvolver, tornar-se planta e, por fim frutificar. E podemos ir mais além, não basta apenas esperar a semente se desenvolver, é preciso cuidar dela.

O problema é quando transpomos este mesmo princípio para as nossas próprias vidas. Tudo o que vivemos hoje é fruto das sementes que plantamos há algum tempo atrás e tudo que viveremos no futuro será o resultado direto do que semeamos hoje. Todos nós sabemos disso, mas, muitas vezes, nos esquecemos do princípio natural do desenvolvimento da semente.

Queremos tudo para agora, somos ansiosos, impacientes, imediatistas, como crianças mimadas que esperneiam por não ter o que quer naquele momento.

É tempo de pararmos para avaliar o que conseguimos até agora, de forma realista e honesta, reconhecendo quais sementes que usamos que não foram boas, para descartá-las, escolher as sementes boas e recomeçar a semeadura.

E cuidar da semente. Ah, isto é o mais importante! Não conseguiremos nada se hoje tivermos um pensamento positivo, declararmos bênçãos sobre nossa vida, nos animarmos, fazermos tudo certinho e, amanhã, acordarmos prostrados, frustrados, maldizendo a tudo e a todos, reclamando da vida e tudo mais que gostamos de fazer quando não aguentamos esperar. É a volta da criança mimada esperneando.

Então, hoje somos convidados a ser mais constantes, não será fácil, nunca será. Porque nós também somos sementes, nós também mudamos no processo. E, como qualquer semente, também temos que morrer, nossa missão é morrer, a cada dia, para tudo que nos faz mal, abraçar um projeto mais ambicioso e, em um futuro não muito distante, começar a gerar os frutos de todo este processo. E morrendo, viveremos...

Muita paz a todos.